Novak Djokovic manteve viva a busca por um 11º título do Australian Open — recorde absoluto — e pelo 25º troféu de Grand Slam da carreira, mas só avançou às semifinais após um desfecho cruel para Lorenzo Musetti.

O italiano abandonou a partida das quartas de final nesta quarta-feira (27), por lesão, mesmo estando em vantagem no placar.
Enquanto o cenário parecia conspirar a favor do sérvio de 38 anos em sua caça por mais um feito histórico nos majors, a jornada de Iga Swiatek rumo ao chamado “Career Grand Slam” — a conquista dos quatro principais torneios do tênis — chegou ao fim com a derrota para Elena Rybakina.
Outra história de destaque do dia envolveu Jessica Pegula, que alcançou de forma merecida a semifinal em Melbourne Park pela primeira vez na carreira, frustrando as pretensões da compatriota Amanda Anisimova, que buscava disputar sua terceira final consecutiva de Grand Slam.
O principal drama da sessão diurna ficou reservado para o confronto da tarde, no qual Djokovic entrou em quadra descansado diante de Musetti após ter avançado por walkover no domingo, quando o jovem tcheco Jakub Mensik desistiu do duelo das oitavas de final.
Djokovic até começou bem, mas logo o jogo tomou um rumo totalmente favorável a Musetti. Inspirado, o italiano exibiu todo o seu repertório técnico, dominou as ações e venceu os dois primeiros sets. No início do terceiro, porém, sentiu a parte superior da perna direita e precisou de atendimento médico.
Mesmo tentando continuar, Musetti resistiu apenas a mais um game. Ele acabou abandonando a partida com o placar de 6-4, 6-3 e 1-3, para surpresa do público na Rod Laver Arena, que reagiu com espanto, enquanto Djokovic demonstrou alívio contido.

“Não sei o que dizer, a não ser que sinto muito por ele, porque ele foi um jogador muito melhor hoje”, afirmou Djokovic.
“Eu estava praticamente indo para casa. Essas coisas acontecem no esporte e já aconteceram comigo algumas vezes, mas estar nas quartas de final de um Grand Slam, vencendo por dois sets a zero e com total controle do jogo… é muito lamentável”.
Musetti lamentou ter de abandonar a partida mesmo com ampla vantagem sobre o experiente adversário e revelou que o problema físico começou ainda no segundo set.
“Eu senti que havia algo estranho”, disse. “Continuei jogando porque estava atuando muito bem, mas percebia que a dor estava aumentando e que o problema não desaparecia. No fim, depois do atendimento médico e ao voltar a jogar, senti ainda mais dor, que só aumentava”.
A polonesa, seis vezes campeã de Grand Slam, deixou a quadra lamentando não apenas a derrota, mas também a falta de privacidade em momentos difíceis fora das quadras, um dia após o episódio em que Coco Gauff quebrou a raquete após a dura eliminação para Elina Svitolina.
“A questão é: somos jogadores de tênis ou animais em um zoológico, observados até quando vão ao banheiro?”, declarou Swiatek.
“Foi um exagero, obviamente, mas seria bom ter mais privacidade. Seria bom também ter seu próprio processo, sem estar sempre sendo observada”.
Mais tarde, as atenções se voltaram para Pegula, sexta cabeça de chave, que segue firme na busca por seu primeiro título de Grand Slam. Ela superou Anisimova por 6-2 e 7-6 (7-1), mantendo alto nível mesmo após momentos de pressão no fim do jogo.
“Estou muito feliz com minha atuação”, disse Pegula.
“Do começo ao fim houve muitas mudanças de momento, mas acho que comecei muito bem, saquei muito bem e consegui me segurar no segundo set, recuperar a quebra e fechar em dois sets. Mostrei uma boa resiliência mental no final para não me frustrar”.

